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Crítica: Construtiva ou Destrutiva?
A resposta é: nenhuma das duas!
Considerando que a crítica é a capacidade de avaliar o que é necessário, as variantes “construtiva” e “destrutiva” podem não fazer sentido. Como assim, Jailson? Você quer dizer que esses tipos de crítica não existem?
Acredito que você possa testemunhar que já recebeu e presenciou diversas críticas consideradas destrutivas, assim como algumas classificadas como construtivas. Você também deve estar acostumado a ouvir relatos como: “Fulano fez uma crítica destrutiva naquela conversa, naquela reunião, naquela aula.”
Calma. Meu objetivo é trazer para você um olhar diferente sobre a crítica.
Percebo que muitas pessoas carregam uma visão equivocada sobre o conceito de crítica, dividindo-a em duas vertentes:
- Crítica construtiva, que teria o propósito de ajudar alguém a melhorar e evoluir.
- Crítica destrutiva, que supostamente serviria para menosprezar ou difamar uma pessoa.
É exatamente nesse ponto que desejo chamar sua atenção. Quando analisamos criticamente um ser humano, devemos, a partir de agora, focar exclusivamente na ação e no resultado obtido, sem desviar para julgamentos pessoais. Assim, a crítica cumpre seu verdadeiro papel: avaliar, identificar o que está de acordo com o esperado ou apontar aspectos que precisam ser aprimorados. Ou seja, quando bem aplicada, a crítica tem sempre o objetivo de contribuir.
Mas e a crítica destrutiva? Devo lhe informar que ela não existe!
Talvez essa afirmação lhe cause estranhamento, mas já irei explicar.
Sempre que alguém tenta usar a crítica de forma pejorativa, ela deixa de ser crítica e passa a assumir outra concepção: a ofensa.
E é aqui que alcanço o ponto central deste texto: não faz sentido dividir a crítica em construtiva e destrutiva. O que realmente precisamos é distinguir crítica de ofensa.

Foto ilustrativa
Trago um exemplo simples para ilustrar essa visão: se desejo lançar um olhar crítico sobre o trabalho de um fotógrafo, posso descrever: Faltaram detalhes importantes nessas fotografias. Esse enquadramento não ficou bom. Há pouca luminosidade nas fotos. Se as fotos fossem elaboradas em estúdio, o resultado seria muito melhor.
Porém, percebendo ou não, posso assumir uma postura ofensiva ao desviar o foco do resultado das fotos e direcioná-lo para o ser humano, o fotógrafo, dizendo: Ele é muito lerdo. Parece que não enxerga que falta luz nesse ambiente. Ele é um estúpido que nem possui um estúdio. Ele é um desastre como fotógrafo.
Desse pequeno exemplo, podemos extrair um aprendizado valioso para nossa vida: quando minha avaliação, meu julgamento e minhas palavras se voltam para as características da personalidade de alguém, estou praticando uma ofensa.
Por outro lado, quando consigo direcionar meu olhar para os resultados e as ações de uma pessoa, tenho a oportunidade de exercer verdadeiramente a função da crítica, oferecendo uma orientação adequada para que ela possa evoluir.
Ao praticar a crítica de forma genuína, demonstro minha capacidade humana de identificar e perceber pontos de melhoria, além de orientar aqueles que precisam. No entanto, ao ofender alguém, revelo minhas fragilidades, inseguranças, traumas, dores emocionais e minha incapacidade de compreender que todo ser humano está sujeito a erros, mas também ao crescimento.
Percebo essa diferença de forma ainda mais evidente ao aplicar meu trabalho na área do desenvolvimento humano em organizações, bem como em minhas ações diretas por meio da Mentoria, da Análise Emocional e da Terapia Neurossistêmica.
Agradeço sua leitura e espero ter contribuído para a construção de um novo olhar sobre a crítica.
Aqui deixo uma reflexão final: você tem praticado a crítica ou a ofensa?
Um fraterno abraço.
Prof. Jailson Pinheiro – @jailsonpinheiro.oficial

Foto: Fau Júnior
Educador, Psicoterapeuta, Neurocientista membro da SBNeC – Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento, baiano, Jailson Pinheiro é Comendador através da Ordem do Mérito Americano (ORDER OF AMERICAN MERIT MEMBER). Criador da Abordagem Neuroemocional, da Terapia Neurossistêmica, da Análise Emocional e da Leitura Emocional em Desenho Infantil e Adulto. Formador e mentor de profissionais. Palestrante e Conferencista.